>>U. L. 11 - A intervenção do Estado na economia

Com o desenvolvimento desta unidade pretende-se que o alunos compreendam a importância do Estado nas sociedades actuais. Com efeito, o Estado para além de garantir a ordem, a justiça e a
defesa dos cidadãos, desempenha outros papéis a nível económico e social, nomeadamente produzindo bens e serviços essenciais, 
participando na distribuição dos rendimentos ou agindo, graças à sua política económica, sobre a inflação, o desemprego, o investimento, as taxas de câmbio, etc. Para intervir na sociedade, o Estado dispõe de um instrumento privilegiado – o Orçamento de Estado.
Pretende-se também que os alunos analisem as políticas económicas e sociais do Estado português, bem como os constrangimentos que lhe são impostos pelo facto de Portugal ser membro da União Europeia (UE).

OBJECTIVOS:
• Compreender o papel do Estado nas sociedades actuais
• Conhecer as principais políticas económicas e sociais do Estado
• Conhecer as políticas económicas e sociais do Estado português


Na pequena BD existente aqui, (em espanhol) podem encontrar uma explicação sobre as principais razões que justificam a intervenção do Estado numa economia de mercado livre. Nesta BD pretende-se argumentar com aqueles que defendem o mercado como um sistema eficiente de afectar os recursos de uma economia. Nada mais longe da realidade …



O RETORNO DE KEYNES                                                

O RETORNO TRIUNFANTE DE JONH MAYNARD KEYNES
Joseph Stiglitz (Nobel da Economia 2001)








Agora somos todos Keynesianos. Até a direita nos EUA se juntou ao grupo dos Keynesianos com um entusiasmo desenfreado e numa escala que não se podia imaginar.
Depois de nos terem deixado no deserto, praticamente ignorados, para nós, Keynesianos, este é um momento de vitória da razão sobre a ideologia e os interesses.
A teoria económica tinha-se dedicado a explicar porque é que os mercados sem obstáculos não se auto-corrigem, porque razão necessitam de regulação, porque é importante o papel que o estado tinha na economia.
Quem trabalhava nos mercados financeiros pressionava pela existência de uma espécie de fundamentalismo de mercado. As políticas económicas resultantes deste entendimento já antes tinham provocado sérios problemas, sobretudo aos países em desenvolvimento. A luz vermelha acendeu-se quando estas políticas começaram a ter repercussão nos EUA e no resto dos países avançados.
Keynes defendia não só que os mercados não se auto-corrigem como também que, numa crise pronunciada, a política monetária é ineficiente. Neste caso é necessária uma política fiscal.
Mas nem todas as políticas fiscais são iguais. Nos EUA, hoje, com uma grande divida imobiliária e um grande grau de incerteza, os cortes anunciados provavelmente serão ineficazes (como foram no Japão em 1990). Grande parte dos cortes tributários do passado mês foi destinada ao aforro.
Com a situação deixada por Bush, os EUA deveriam rentabilizar cada dólar. O legado de investimento em tecnologia e em infra-estruturas, especialmente do tipo verde, e a crescente brecha entre ricos e pobres requerem uma coerência entre os gastos a curto prazo e uma visão de longo prazo.
Exige-se a reestruturação dos programas tributários e de despesa. Baixar os impostos aos pobres e aumentar o subsídio de desemprego, ao mesmo tempo que se aumentam os impostos aos ricos, pode estimular a economia, reduzir o défice e diminuir a desigualdade. Reduzir os gastos de guerra no Iraque e aumentar a despesa em educação pode incrementar a produção a curto e a largo prazo e ao mesmo tempo reduzir o défice.
A Keynes preocupava-o a falta de liquidez – a incapacidade das autoridades monetárias para induzir um incremento na oferta de crédito a fim de aumentar o nível da actividade económica. Ben Barnanke fez um esforço para evitar a contracção do crédito como aconteceu na grande depressão. Deveríamos, no entanto, ler a história com cuidado. Preservar as instituições financeiras não é um fim em si mesmo, senão um meio par alcançar um fim. O importante é o fluxo de crédito; a razão pela qual o fracasso dos bancos na grande depressão foi importante deveu-se ao facto de serem eles a determinar a capacidade creditícia. Eles detinham a informação sobre o fluxo de crédito.
Os bancos mudaram muito desde a grande depressão. Centraram-se na compra e venda de activos e não avaliavam devidamente os riscos. Investiram-se milhões a manter instituições disfuncionais. As recompensas privadas dos bancos excediam os seus benefícios sociais. Muito pouco se está a fazer, entretanto, para que os bancos façam o que devem: emprestar dinheiro a quem pode devolvê-lo.
O governo federal assumiu milhares de milhões de dólares em passivos e riscos. E o retorno deste “investimento”? O dinheiro que Bernanke colocou nos bancos foram desvantajosos para os contribuintes e fez pouco para reactivar o crédito.
A desregulação financeira beneficiou grandes bancos americanos. Eles venderam no estrangeiro produtos financeiros de valor duvidoso e participaram numa especulação global. Isto acabou por ter custos para os outros.
Hoje o risco é que se use e abuse das ideias Keynesianas. Os que quiseram a desregulação há dez anos atrás aprenderam a lição? Ou simplesmente querem reformas cosméticas?
Hoje, no entanto, seguir políticas Keynesians parece mais rentável do que seguir fundamentalismos de mercado. Há 10 anos, quando se vivia a crise financeira asiática, discutia-se muito sobre a necessidade de reformar o sistema financeiro global. Pouco se fez. É preciso actuar agora se queremos uma economia mundial mais estável, próspera e equitativa.

Morte e ressurreição de Keynes

É bom que tenhamos consciência que Keynes não teve resposta para tudo. Hoje conhecem-se fenómenos que, à luz dos ensinamentos de Keynes, não era suposto acontecerem. Mas aconteceram. A estagflação – coexistência de estagnação económica e inflação – é talvez o mais paradigmático. Keynes deu um importante contributo para a Economia enquanto Ciência com alguma capacidade preditiva dos fenómenos. É sempre importante recordá-lo…com conta, peso e medida.

Vídeo do YouTube


Mark Blyth: A austeridade é uma ideia perigosa

Vídeo que traduz o pensamento de Mark Blyth, académico de origem escocesa e professor e investigador nos Estados Unidos. A sua análise é irreverente e ataca impiedosamente os lugares-comuns mais usados pelos especuladores financeiros. A ser visto pelos alunos de Economia…e pelos outros. Vale a pena escutar o seu ponto de vista.

Vídeo do YouTube







                                    Economias de Mercado versus Economias de Direcção Central

* Autoridade Económica Central

Uma economia de mercado – dita economia capitalista do ponto de vista dos sistemas económicos – é um conjunto de mercados livres, na perspectiva em que a única coordenação destes é a efectuada pelo mecanismo dos preços, isto é, pela “mão invisível”. Nestas economias a afectação de recursos é determinada pelas decisões de produção, de compras e de vendas tomadas pelas empresas e pelas opções das famílias. Nestas economias a articulação existente entre os planos dos diversos agentes económicos é nula, isto é, os planos estabelecidos por cada agente económico são independentes dos planos estabelecidos pelos restantes agentes económicos. Portanto, nestas economias o planeamento tem carácter indicativo.

No extremo oposto situam-se as economias de direcção central – também designadas por economias socialistas – em que todas as decisões sobre a afectação de recursos, e naturalmente, as restantes decisões desta decorrentes, são da responsabilidade da “autoridade Económica Central”, isto é, as unidades de produção produzem e as famílias consomem apenas como se lhes ordena. Nestas economias a articulação existente entre os planos dos diversos agentes económicos é total, portanto, os planos não são estabelecidos por cada agente económico, mas sim pela AEC para todos os agentes económicos. Portanto, estes são dependentes dos planos estabelecidos para os restantes agentes económicos. Assim, nestas economias, o planeamento tem carácter imperativo.

Na História Universal jamais existiu qualquer economia de mercado ou economia de direcção central “pura”. O estudo destes dois modelos de organização e funcionamento da sociedade e da actividade económica revela, no entanto, bastante interesse porque qualquer economia real, sendo uma economia mista, pode ser observada como o resultado de uma determinada coordenação entre os dois modelos anteriores, isto é, o que varia é simplesmente o grau da “mistura”.

Em certas economias a influência das autoridades centrais é substancialmente inferior à de outras. Podemos então dizer que as primeiras são economias relativamente próximas das economias de mercado e as segundas são economias relativamente próximas das economias de direcção central. É arbitrária a linha divisória que separa estas economias, não havendo para o efeito melhor indicador que o bom senso.

Dada a importância que os regimes democráticos adquiriram, e perante a derrocada dos regimes autocráticos a partir dos anos 1990, hoje até parece que as economias de mercado são a única forma de organização e funcionamento da sociedade e da actividade económica. Iremos estudar as economias mistas próximas das economias de mercado, por ser este o modelo que melhor se coaduna com os primeiros. A liberdade de escolha – condicionada pelas possibilidades monetárias – é a oferta dos regimes democráticos. Um modelo mais justo ainda está por inventar...
                               




















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Ilda Dinis,
11/02/2014, 04:38
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Ilda Dinis,
23/01/2014, 16:27
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Ilda Dinis,
23/01/2014, 16:27
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Ilda Dinis,
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Ilda Dinis,
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Ilda Dinis,
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Ilda Dinis,
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Ilda Dinis,
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