>>U. L. 10 - Relações económicas com o Resto do Mundo

Nesta unidade pretende-se que os alunos compreendam que, no mundo actual, as relações económicas que se estabelecem entre países são intensas e diversificadas dado que, cada vez mais,
circulam bens, serviços, pessoas, capitais, informação, tecnologia, etc..
Algumas dessas relações económicas podem ser quantificadas e registadas: trocas de bens, de serviços e de capitais. Assim, pretende-se que os alunos compreendam, em termos gerais, a forma de registar essas trocas nos respectivos documentos – balanças – e, em simultâneo, compreendam a importância desse registo enquanto instrumento que permite avaliar a situação económica de um dado país. Essa avaliação pode ser feita para qualquer país através da análise da sua situação cambial, da estrutura das suas importações e das suas exportações, da sua taxa de cobertura, etc..
Finalmente, pretende-se também que os alunos conheçam algumas políticas comerciais e instrumentos que lhes estão associados, bem como organizações que, a nível mundial (Organização Mundial do Comércio – OMC) e regional (UE), têm por objectivo regular as trocas.

OBJECTIVOS :
• Compreender a importância das relações económicas internacionais
• Compreender a forma de contabilizar as relações económicas de um país com o Resto do Mundo
• Analisar as relações económicas de Portugal com o Resto do Mundo, em especial com os outros países da UE

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 Comércio intra-europeu (I) Comércio Mundial (IV) OMC (I)Comércio Justo (II)Comércio Justo (VI)  Fundos estruturais (IV) IDE (I) ;  IDE (II)

As trocas comerciais e o investimento estrangeiro directo são elementos essenciais para a saúde económica de um país, qualquer que seja o seu grau de desenvolvimento.
Graças à constante supressão de obstáculos à importação e à exportação que se tem verificado, o volume do comércio mundial é hoje consideravelmente superior ao de há 50 anos.
Entre 1985 e 1996, o ritmo de crescimento do rácio comércio/PIB mundial foi três vezes mais rápido do que na década anterior e quase duas vezes mais rápido do que na década de 60. Além disso, há que salientar que o volume do investimento directo no estrangeiro progrediu drasticamente nos últimos 25 anos (de 23 mil milhões de euros anuais para 275 mil milhões), sendo canalizados actualmente para o sector dos serviços quase 60% dos capitais envolvidos.
Sempre que o comércio mundial aumenta, aumenta o emprego no mundo; Da mesma forma, o aumento do comércio mundial tem permitido às novas potencias emergentes (China, Índia, Brasil) melhorar a qualidade das suas produções e exportações que são cada vez mais tecnológicas. Em virtude disto, a mão-de-obra desses países é também mais qualificada e portanto melhor remunerada, permitindo uma melhoria do nível de vida das populações.


David Ricardo e a teoria das vantagens comparativas

As Vantagens Comparativas — a teoria de comércio internacional de Ricardo

 David Ricardo era um aplicado defensor do liberalismo no comércio internacional.

Para ele, as transacções entre os países eram um mecanismo poderoso para infundir ânimo aos sistemas económicos. Na sua perspectiva, as trocas internacionais seriam vantajosas mesmo numa situação em que um determinado país tivesse maior produtividade que o outro na produção de todas as mercadorias. Ele criou o famoso exemplo do comércio de tecidos e vinhos entre a Inglaterra e Portugal.

Nesta ilustração, Portugal necessitava de menos horas de trabalho-homem para produzir vinho e tecidos do que a Inglaterra. Mas em Portugal, o custo de oportunidade para abrir mão da produção de uma unidade de vinho a fim de produzir tecidos era maior do que especializar-se na produção de vinho e comprar os tecidos da Inglaterra. Na Inglaterra, o mesmo raciocínio funcionava de maneira simétrica: abrir mão de uma unidade de produção de tecidos era menos eficiente que especializar-se na produção de tecidos e comprar o vinho de Portugal. Assim, o comércio internacional sob condições de livre concorrência faria ambos os países especializarem-se na produção dos bens em que tinham maiores vantagens comparativas, e aumentaria o potencial de acumulação em ambos.

A teoria das Vantagens Comparativas de Ricardo foi a base para a construção de toda uma vertente de teorias de comércio internacional que dominou por muito tempo o debate económico.

 

A quantidade de vinhos que Portugal deve dar em troca dos tecidos ingleses não é determinada pelas respectivas quantidades de trabalho dedicadas à produção de cada um desses produtos, como sucederia se ambos fossem fabricados na Inglaterra ou ambos em Portugal.

A Inglaterra pode estar em tal situação que, necessitando do trabalho de 100 homens por ano para fabricar tecidos, poderia, no entanto, precisar do trabalho de 120 durante o mesmo período, se tentasse produzir vinho. Portanto, a Inglaterra teria interesse em importar vinho, comprando-o mediante a exportação de tecidos.

Em Portugal, a produção de vinho pode requerer somente o trabalho de 80 homens por ano, enquanto a fabricação de tecido necessita do emprego de 90 homens durante o mesmo tempo. Será portanto vantajoso para Portugal exportar vinho em troca de tecidos. Essa troca poderia ocorrer mesmo que a mercadoria importada pelos portugueses fosse produzida em seu país com menor quantidade de trabalho que na Inglaterra. Embora Portugal pudesse fabricar tecidos com o trabalho de 90 homens, deveria ainda assim importá-los de um país onde fosse necessário o emprego de 100 homens, porque lhe seria mais vantajoso aplicar seu capital na produção de vinho, pelo qual poderia obter mais tecido da Inglaterra do que se desviasse parte de seu capital do cultivo da uva para a manufactura daquele produto.

Então a Inglaterra entregaria o produto do trabalho de 100 homens em troca do produto do trabalho de 80. Tal troca não poderia ocorrer entre os indivíduos de um mesmo país. O trabalho de 100 ingleses não pode ser trocado pelo de 80 ingleses, mas o produto do trabalho de 100 ingleses pode ser trocado pelo de 80 portugueses, 60 russos ou 120 indianos. A diferença entre um país e os demais, nesse aspecto, pode ser facilmente explicada pela dificuldade com que o capital se transfere de um país para outro em busca de aplicação mais lucrativa e pela facilidade com que invariavelmente se muda de uma para outra região no mesmo país." (David Ricardo, Princípios de economia política e tributação).


Vantagem absoluta e vantagem comparativa

Imagine que um casal sofreu um naufrágio e foi parar a uma ilha deserta..

   

O quadro 1 mostra o que o marido e a mulher são capazes de fazer, cada um, num dia (com ½ dia gasto em cada actividade).

                                    Quadro  1:

  
Construir cabanas
 
Pescar

 5
 
75
 
 

10
 

100
 TOTAL 15 175
 

O marido tem uma vantagem absoluta sobre a mulher em ambas as actividades... i.e. ele é melhor a construir cabanas E a pescar.

No entanto, a produtividade total da ilha pode aumentar se cada pessoa se especializar na sua vantagem comparativa...

Mesmo que o marido seja melhor em ambas as actividades, precisamos descobrir onde é que ele é melhor em comparação com a esposa, e em que é que a mulher é menos má em comparação com o marido:

Cabanas: A mulher consegue fazer metade das cabanas do marido.

Peixe: A mulher pode pescar ¾ do peixe pescado pelo marido.

 

Ø  Assim, a mulher é comparativamente melhor a pescar do que a fazer cabanas, quando comparado com o marido (ela é menos má nisso). O marido é comparativamente melhor a fazer cabanas. 


Outra maneira de entender a vantagem comparativa é comparar o custo de oportunidade de mudar cada actividade (usando o mesmo exemplo):

Quadro  1:

  
Construir cabanas
 
Pescar

 5
 
75
 
 

10
 

100
 TOTAL 15 175

   4  Se a mulher fizer uma cabana extra, o sacrifício (custo de oportunidade) seria de 15 peixes (75/5).

   4  Se o marido fez uma cabana extra, o sacrifício (custo de oportunidade) seria de 10 peixes (100/10).

 

P. Se for necessária uma cabana extra na ilha, seria melhor ser a esposa ou o marido a fazê-la?

R. O marido - como o benefício de uma cabana adicional só resultaria num sacrifício de 10 peixes (em comparação com 15 se for a mulher a fazê-lo). Portanto, o marido tem uma vantagem comparativa na construção de cabanas.

Isto pode ser demonstrado através da análise de como uma mudança na produtividade de cada pessoa pode afectar a produção total da ilha ….

…. Sabemos que a mulher é má a pescar, mas ela não é tão má como quando está a construir cabanas. Então, vamos fazer a mulher pescar mais peixe e o marido construir mais cabanas e ver o que acontece...

Quadro  2:

  
Construir cabanas
 
Pescar
 

 0
 
150
Cada cabana que a mulher sacrificou (5)
 resultou num extra de 15 peixes (75 no total).
 
 
 

16
 

40
 Por cada cabana extra construída pelo marido (6)
sacrificaram-se 10 peixes (60 no total).
 TOTAL 16 190

 A produtividade total da ilha aumentou (ver quadro 1).

Ao utilizar a vantagem comparativa de cada pessoa, a produtividade total da ilha aumentou. No entanto, a mulher não tem cabanas e o marido não tem muitos peixes - pelo que eles precisam de trocar um com o outro. Se trocarem a uma taxa algures entre 1 cabana = 5 peixes e uma cabana = 10 peixes (os dois índices de custo de oportunidade), eles vão beneficiar do comércio. Por exemplo 1 cabana = 7 peixes (termos de troca). Veremos mais adiante que esta ideia pode ser aplicada na economia (o homem e a mulher são dois países diferentes, e a ilha é o mundo).




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Ilda Dinis,
28/11/2013, 03:12
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Ilda Dinis,
21/11/2015, 15:08
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Ilda Dinis,
18/11/2013, 15:26
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Ilda Dinis,
19/01/2014, 15:22
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Ilda Dinis,
24/11/2013, 14:44
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Ilda Dinis,
13/12/2013, 14:20
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Ilda Dinis,
13/12/2013, 13:56
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Ilda Dinis,
27/11/2013, 16:58
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Ilda Dinis,
13/12/2013, 14:20
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Ilda Dinis,
24/11/2013, 14:46
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Ilda Dinis,
13/12/2013, 13:56