Globalização e moda

A globalização e o comércio livre 
As Zonas de comércio livre, ou Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs), são zonas industriais criadas para atrair o investimento estrangeiro. 
As ZPEs oferecem incentivos especiais para atrair investimentos, como infra-estruturas, incentivos fiscais, isenção das leis do trabalho e das leis 
ambientais e o fornecimento de mão-de-obra barata.

Mais de 27 milhões de pessoas trabalham em cerca de 850 ZPEs em todo o mundo.
As ZPE’s no Mundo
País

Número de ZPE’s

EUA e México

320

Ásia

225

Caribe


51

América Latina

41

Sudoeste asiático


39

Filipinas


35
África

47

As ZPE atraem as indústrias de trabalho intensivo como a de vestuário e calçado e a montagem de componentes electrónicos. Estas indústrias requerem 
apenas tecnologia básica e uma força de trabalho pouco qualificada. As fábricas nelas localizadas são muitas vezes chamadas de sweatshops. O termo 
sweatshop foi utilizado pela primeira vez no século 19 para descrever um sistema de trabalho, onde os proprietários das fábricas obtinham lucro através 
de uma força de trabalho obrigada a trabalhar longos dias sob condições inseguras e com salários de subsistência. As grandes empresas voltaram a estes
padrões das sweatshop, expondo os trabalhadores a uma exploração extrema, incluindo a ausência de um salário mínimo ou benefícios, condições de
trabalho miseráveis e disciplina arbitrária.
Muito poucos dos gigantes da moda produzem de facto os seus próprios produtos. É muito mais barato para as empresas subcontratar a produção. 
O número de empresas envolvidas na produção é tão grande que elas concorrerem entre si para a obtenção de contratos. Os contratos são concedidos às
empresas que oferecem os custos mais baixos.
Estas empresas estão normalmente localizadas em zonas de processamento de exportação, conhecidas pelas suas fracas condições de trabalho e pelos 
salários baixos. No mundo, há 23,6 milhões trabalhadores empregados na indústria do vestuário. Desse total, 75% são mulheres. As mulheres são consideradas como 
tendo "dedos rápidos e boa disciplina. Além disso, as mulheres são mais propensas a tolerar a indignidade e exploração por causa do apoio à sua família”.
(Ransom, 2000).

A industria global da moda


Enquanto as grandes marcas desportivas patrocinam generosamente as grandes equipas e jogadores, em todo o mundo, muitos dos trabalhadores que produzem os 

seus produtos na Ásia não podem satisfazer as suas necessidades básicas e sofrem de descriminação, despedimento ou violência.

A Nike paga 13 milhões de euros por ano à selecção nacional de futebol do Brasil e a Adidas pagou 1,5 milhões de euros por ano ao jogador francês Zinedine Zidane.

Entretanto, os trabalhadores asiáticos que fabricam as botas de futebol e outros elementos do equipamento desportivo usados pelos jogadores recebem apenas 3,76

euros por um dia de trabalho. As mulheres que fabricam roupa desportiva de marca na Indonésia têm que trabalhar quase quatro horas para poderem comprar no

mercado local, mais barato 1,5 Kg de frango, que para algumas será a carne que se podem permitir comprar no mês...

... A situação dos trabalhadores que produzem a roupa desportiva é dura, como a da maioria dos trabalhadores no mundo em desenvolvimento.

Centenas de milhares de pessoas – 80% das quais são mulheres – trabalham produzindo roupa desportiva na Asia, África, Leste da Europa e América Latina. Durante

os últimos 15 anos numerosos relatórios de organizações não governamentais documentaram o predomínio de baixos salários e condições de exploração no sector. 

Ainda que esta investigação tenha detectado algumas melhorias, detectaram também, de forma clara, que os homens e mulheres que produzem este tipo de roupa 

trabalham durante longas horas debaixo de forte pressão; que frequentemente trabalham em condições difíceis e perigosas, incluindo o assédio verbal e sexual; 

que muito raramente vêem os seus direitos sindicais respeitados, que por vezes são violentamente negados; e que os seus salários, para uma semana normal de 

trabalho, são demasiado baixos para satisfazer as necessidades básicas das suas famílias...


Tarefas:

1 - leitura das páginas 144 a 161 do livro "Sem logo - A tirania das marcas num planeta vendido", de Naomi Klein (2000), versão brasileira.

O livro "Sem Logo" da jornalista Naomi Klein baseia-se numa ideia simples: quanto mais se descobrir sobre os segredos das grandes marcas, maior será a revolta que  

estimulará o próximo grande movimento politico contra as empresas transnacionais, particularmente aquelas com marcas muito conhecidas.

Quais são estes segredos? Os segredos, que permitiram às grandes marcas serem, ao mesmo tempo, reconhecidas e odiadas, só podem ser descobertos analisando o processo 
de construção das suas marcas.
Sem Logo representa um movimento global disposto a mostrar as contradições gritantes resultantes da actuação das grandes empresas e propõe alternativas para um comércio
 mais justo. Escrito na década de 90, quando o termo sustentabilidade mal era conhecido, Sem Logo é leitura essencial para compreender o processo de construção das super 
marcas e o movimento de oposição da sociedade criado pela mais nova ferramenta de mobilização global: a Internet.
Apresentação do livro (versão brasileira)

Como são feitas as jeans I

Como são feitas as jeans II
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Ilda Dinis,
18/11/2012, 14:24
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Ilda Dinis,
19/11/2013, 03:44
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Ilda Dinis,
18/11/2012, 14:20
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Ilda Dinis,
18/11/2012, 14:25