A economia...na literatura


FREAKONOMICS


Um economista politicamente incorrecto explora o lado oculto das coisas que nos afectam.
Das conversas entre dois americanos, um jornalista e um economista, considerado o mais brilhante e criativo da sua geração, nasceu o livro Freakonomics, onde os autores exploram «o lado oculto de todas as coisas.» Factos e números apresentados de uma forma simples e muito invulgar, afastando as respostas geralmente mais convencionais. O senso comum dos leitores é testado em questões simples mas fundamentais. Só fazendo as perguntas certas, se podem obter resultados bem sucedidos e apreender uma nova visão do mundo. Por exemplo sabia que a legalização do aborto pode ter um impacto positivo na descida da criminalidade? E qual a relação entre os gangs que vendem droga e os restaurantes McDonalds? Freakonomics redefine a perspectiva de interpretação da realidade económica estimulando os impulsos emocionais dos leitores. Um livro inesperado, com um conceito inovador que introduz uma verdadeira revolução na forma como a economia se expressa na actualidade. «Politicamente incorrecto… no melhor sentido.»

Cuentos económicos - David Anisi
David Anisi utilizou os contos dos grandes escritores clássicos como Perrault, Andersen e os irmãos Grimm, adaptando-os aos temas económicos. Entre outros, podemos encontrar "O gato das botas", e o "O aprendiz de feiticeiro".


O Economista Natural
O mais interessante da Economia não acontece na sala de aula ou nas fórmulas e gráficos que poucos entendem, mas sim no mundo real: na nossa casa, no carro, quando vamos às compras, e às vezes na rua. Desde 1980 que o economista e professor Robert Frank pede aos seus alunos que descubram e coloquem questões sobre os enigmas da vida quotidiana e pede-lhes para os explicar em termos económicos. As suas questões - e as surpreendentes respostas - revelam como a Economia realmente funciona.
O Economista Natural demonstra como os conceitos básicos da Economia ajudam a responder às mais diversas questões, tais como porque é que as modelos femininas ganham muito mais do que os modelos masculinos, porque é que os telecomandos têm tantos botões se só usamos três ou quatro, porque é que as crianças são obrigadas a usar cintos de segurança nos carros mas não nos aviões ou porque é que são as baleias que estão em extinção e não as galinhas.
Não há maneira mais divertida e eficaz de aprender os princípios básicos da Economia que ler este livro.

Economia para Todos

A economia é frequentemente ensinada através de equações e gráficos que acabam por distrair estudantes e gestores das ideias essenciais e da intuição que envolvem as questões económicas.
Desde as crises monetárias até ao rebentar das bolhas especulativas, a economia mundial está repleta de armadilhas. Neste contexto, a compreensão prática dos conceitos económicos tornou-se uma ferramenta essencial de gestão.
Neste livro, David A. Moss, apresenta de forma simples e acessível, a teoria e prática económicas. Com explicações sobre os principais fenómenos que ajudam a moldar a economia global, Economia para Todos, clarifica os conceitos fundamentais que afectam os riscos e recompensas das decisões efectuadas pelos executivos e gestores, todos os dias.

Na Banda Desenhada

Asterix e Obélix contra as leis de mercado


Já todos ouvimos e lemos críticas ao nosso sistema económico, à voracidade dos mercados e à especulação, mas nenhuma é tão divertida (e tão ácida) como a que é feita numa banda desenhada (supostamente) juvenil publicada em 1976: Obélix e companhia, o 23º álbum das aventuras de Astérix o Gaulês.



Vamos então desvendar o enredo desta obra-prima e partilhar o génio e a crítica que o autor faz ao sistema, ao mesmo tempo que iremos contactar, de uma forma engraçada, com alguns termos de economia.

A série Astérix o gaulês conta-nos as aventuras de dois inseparáveis amigos, Astérix e Obélix, na Gália ocupada por Roma de Júlio César em meados do século I antes de Cristo. Vivem os dois numa pequena aldeia que resiste ao invasor graças a uma poção mágica que os torna invencíveis, fabricada pelo druida Panoramix. Este álbum conta-nos a história sobre as intenções de Júlio César de derrotar os gauleses. Desta vez, aconselhado por um jovem licenciado pela escola imperial de administração, Caius Saugrenus, o plano de Júlio César consiste em transformar os gauleses num povo decadente. E como vai consegui-lo? Através do desejo de lucro. Ou seja, onde falha a força, triunfará o dinheiro.
Na verdade, o plano de Caius Saugrenus é maquiavélico: a introdução de dinheiro num sistema económico simples, baseado na troca, e utilizando as flutuações do mercado como forma de gerar riqueza, ele espera transformar os indomáveis gauleses em escravos do sistema. Artesãos, caçadores, agricultores, alfaiates, todos presos a uma roda de que não podem escapar se quiserem ganhar a vida.
Caius Saugrenus é, claro, o verdadeiro vilão da história: um recém-saído da escola de gestão, que prepara um plano diabólico para poder tornar-se rico e poderoso. A figura de Caius Saugrenus é, na verdade, uma paródia a Jacques Chirac, à época (1976) o jovem primeiro-ministro francês, posteriormente o presidente da Câmara de Paris (1977-1995) e Presidente da República Francesa (1995-2007).

Caius Saugrenus e Jacques Chirac, dois licenciados pela Escola de Administração com grandes ambições políticas.

Vejamos então como se desenvolve o plano de Caius Saugrenus. A fim de salientar a enorme riqueza de conceitos económicos abordados nesta história, eles aparecerão no texto a negrito.


I - Criação de procura artificial de menires e conversão dos gauleses em produtores

Caius Saugrenus encontra Obélix na floresta e interessa-se pelo seu menir. Quando lhe pergunta o preço, Obélix afirma que não sabe, apenas o utiliza para trocar por outra coisa. Conhecendo o gauleses, poderíamos afirmar que eles vivem numa economia de subsistência e de troca, em que cada agente económico procura por si próprio satisfazer as suas necessidades (Obélix troca os seus menires por outras coisas, mas para necessidades básicas como a alimentação, basta-lhe ir caçar um javali com o seu amigo Astérix). Caius Saugrenus deve então convencer o gaulês sobre a importância do dinheiro, que servirá para "comprar" coisas, para ser uma pessoa mais importante.

Finalmente, Caius Saugrenus não só compra a Obélix o seu menir, por 200 sestércios, como também afirma que irá comprar todos os menires que Obélix possa entregar. Obélix, que anteriormente apenas trabalhava e vivia confortavelmente sem grandes preocupações, está agora vinculado por um compromisso comercial. Quando Astérix o convida para ir caçar, Obélix responde, mal humorado, que tem muito trabalho para fazer:


                                                                                 

     





No dia seguinte, Obélix entrega outro menir a Caius Saugrenus, que lhe paga o dobro do dia anterior devido a uma subida de preços. Obélix não percebe nada, e olha mesmo para cima, para o céu, à procura de um lugar para onde os preços tenham "subido".  Caius Saugrenus tenta explicar-lhe que tudo se deve a flutuações do mercado e à interacção entre a procura e a oferta:

Quando Obélix regressa à aldeia, percebe que não tem que comer, uma vez que investiu todo o seu tempo para caçar javalis no fabrico de menires. Como Astérix não o convida para comer, compra um javali a outro vizinho, Analgésix, dizendo-lhe que lhe comprará qualquer javali que tenha caçado. Vemos assim que, à medida que a moeda se vai introduzindo na vida quotidiana dos gauleses, começa também a surgir a divisão do trabalho: até aí, com poucas excepções, os gauleses satisfaziam as suas próprias necessidades. Agora, alguns deles começam a especializar-se (Obélix dedica-se ao fabrico de menires, Analgésix à caça de javalis, ...). Pouco a pouco, uma economia de troca e subsistência vai-se transformando numa economia de mercado.

No dia seguinte, Caius Saugrenus torna a subir o preço do menir, de 400 para 800 sestércios, mas exige a Obélix um volume de produção maior, para que os preços não desçam, já que a oferta tem que satisfazer a procura (na verdade, uma escassez de oferta teria um efeito oposto, um aumento de preço, mas não esqueçamos que Caius Saugrenus, como único comprador de menires, está a interferir nas leis de mercado).

Obélix, que sozinho só pode fabricar um menir por dia, vê-se na necessidade de aumentar a produção, pelo que se associa a Analgésix que, em vez de ir caçar javalis passa a fabricar menires. No entanto, agora precisam que outros gauleses cacem para eles, pelo que contratam Monosilabix e Radiotelegrafix. Perante o aumento da procura, aparece a empresa como agente económico de produção e, na aldeia,  aumenta o grau de divisão do trabalho e a especialização (agora existem mais fabricantes de menires e caçadores a tempo inteiro, todos eles trabalhando a troco de sestércios).
Porém, ainda não é suficiente para Caius Saugrenus, que continua a subir os preços e a incrementar a procura de menires. Quando a empresa de Obélix já é composta por quatro fabricantes de menires (e quatro caçadores de javalis), Caius Saugrenus diz-lhe que tem que melhorar os seus circuitos de distribuição, o que obriga Obélix a comprar uma viatura para entregar mais menires. Obélix desconhece-o, mas está a introduzir uma inovação tecnológica para aumentar a sua produção. Neste momento, Obélix está totalmente convertido ao mundo dos negócios e, em breve, irá contratar a mulher mais sexy da aldeia, a esposa do ancião Geriatrix, para fazer as suas novas roupas, mais dignas da sua posição.
Neste ponto, o plano de Caius Saugrenus para derrotar os gauleses parece mais do que evidente. Ao introduzir as sua regras de mercado na pacífica aldeia, mantém os gauleses ocupados com as suas novas funções ao mesmo tempo que acaba com o seu modo de vida anterior ( e ao mesmo tempo deixam de dizimar as hostes romanas). Quem estava habituado a divertir-se com os amigos e a viver em paz está agora muito ocupado.. O caso mais grave é o de Obélix, mas o aumento contínuo de procura, estimulado por Caius Saugrenus, faz com que os gauleses vivam cada vez mais afectados por este mal...

Ao longo de toda a história, Gosciny vai fazendo uma crítica feroz à presunção dos executivos e dos economistas: Caius Saugrenus usa e abusa da linguagem pedante de alguns economistas e, quando não o entendem, goza desalmadamente com o seu interlocutor, respondendo numa linguagem de tontos, baseada na utilização de infinitivos. Isto conduz a mal-entendidos e leva a que as pessoas tentem parecer mais distintas e imitem Caius Saugrenus, pensando que esta é a forma habitual de os intelectuais falarem. Caius Saugrenus também tem longos "almoços de negócios" com Obélix, e recomenda-lhe que não deve fazer determinadas actividades que "não são dignas" de um empresário e sugere-lhe que não está vestido de forma adequada à sua importância.

II. Asterix  e a "bolha do menir"

Entretanto, Asterix percebe que o súbito interesse dos romanos pelos menires  não pode ser natural, e decide dar-lhes uma overdose de seu próprio remédio, convencendo outros gauleses a competir com Obélix, fabricando menires para os romanos. Por um lado, a sua intenção é que Obélix deixe de ser " a pessoa mais importante da aldeia", transformando outros aldeãos em empresários; por outro lado, percebe que o menir é um bem absolutamente inútil e que a sua procura é artificial. Tendo estes aspectos em consideração, conclui que, se fornecer mais menires aos romanos eles acabarão por ficar saturados ... Na realidade, embora Astérix não o saiba, nem conheça o termo, ele está a provocar uma "bolha especulativa" de menires.

Na verdade, Astérix está apenas acelerando um processo natural que teria ocorrido de qualquer maneira. Imersos num sistema no qual regem as leis de mercado, os diferentes agentes económicos agem segundo aquilo que dita a procura e, se a procura pede menires, a maioria dos trabalhadores vai transformar-se em produtora de menires. Em condições normais, uma super abundância de menires levaria à queda dos preços, mas o único comprador no mercado absorve toda a oferta e aumenta o preço que paga para estimular a avareza dos gauleses, fazendo assim inchar a bolha.

No início, o plano de Astérix não parece prejudicar o plano de Caius Saugrenus, pelo contrário, dá até a ideia de que está a acelerar o seu sucesso: toda a aldeia está dedicada à produção de menires, a moeda generalizou-se como meio de pagamento e quem não possui dinheiro fica excluído da sociedade.No entanto, isto começa a ser um problema e o centurião Nihablarus questiona Caius Saugrenus: que raio vão fazer os romanos com todo o stock de menires que se está a acumular?


III. Retorno do Investimento. Estimulo da procura através do marketing

Júlio César está chocado perante tal acumulação de menires. No entanto Caius Saugrenus, que ainda não perdeu o controlo da situação, tem uma solução: vender os menires por um preço superior ao que pagou por eles para assim recuperar o investimento e obter um lucro. É neste momento que o plano de Caius Saugrenus se mostra em toda a sua plenitude: converteu os gauleses em trabalhadores explorados pelos romanos, produzindo em série um bem com o qual pensa enriquecer.


 Ora bem, uma vez que o menir é um bem absolutamente inútil, com procura nula em Roma, Caius Saugrenus pretende estimular a procura de menires entre os romanos mediante uma intensa campanha publicitária. A crítica aos quadros executivos superiores, encarnados na figura de Caius Saugrenus,  torna-se aqui mais feroz do que nunca, uma vez que ele não se preocupa com o facto de estar a aproveitar-se quer dos gauleses quer dos romanos para enriquecer. Neste ponto da história, apenas Astérix e o druida Panoramix estão a salvo das críticas do autor, que acentua os defeitos das restantes personagens: os gauleses que se deixam seduzir pelo lucro, que se deixam manipular para comprar bens inúteis, apenas por snobismo, governantes incompetentes aconselhados por assessores sem escrúpulos ...


Obviamente, a campanha publicitária torna-se um êxito e os menires começam a vender-se como pão quente em Roma. Procurando novas fontes de lucro, Caius Saugrenus planeia diversificar a oferta e idealiza todo o tipo de produtos baseados no menir, aproveitando assim a febre dos menires que se espalhou por Roma. Com a campanha publicitária e com a actual estratégia de diversificação do produto, Caius Saugrenus revela-se um verdadeiro génio do marketing.

IV. Guerra de preços no mercado do menir e explosão da bolha
Pela primeira vez na história, surge um factor inesperado a  Caius Saugrenus: os empresários romanos, vendo a febre desencadeada entre os consumidores, decidem eles próprios começar a fabricar os seus próprios menires. Assim, o mercado romano de menires deixa de ser um monopólio e surge a concorrência. Esta concorrência é real, ao contrário do que aconteceu na aldeia gaulesa, quando todos os gauleses começaram a fabricar menires. Neste último caso, o mercado foi adulterado pela intervenção de Caius Saugrenus que, como único comprador, criava uma procura artificial e influenciava os preços. Agora, os fabricantes romanos e gauleses começavam a competir entre si, num mercado romano de grandes dimensões, um mercado que não era tão fácil de manipular, como  em breve se verá.

Como é óbvio, os fabricantes romanos vendem os menires a um preço mais baixo, para competir com os gauleses, mais experientes. Num primeiro momento, Júlio César proíbe a venda de menires romanos, porém os produtores romanos reagem com  uma campanha de greves e manifestações que consegue sensibilizar a opinião pública. Além disso, a situação agrava-se com a chegada de menires de outros países. E assim se inicia uma verdadeira guerra de preços que acaba por afundar o mercado.

                                                 

Na realidade, face a uma concorrência real, Caius Saugrenus vê-se obrigado a baixar o preço dos menires. Assim dá-se uma descida brutal dos preços, de tal forma que os menires em vez de darem lucro, passam a provocar prejuízos ( maior ainda para Caius Saugrenus, que os tinha comprado aos gauleses a preços muito elevados). Desta forma, a bolha especulativa rebenta e o mercado do menir fica arrasado. Júlio César ordena a Caius Saugrenus que se dirija imediatamente à Gália a fim de travar a compra de menires, desmontando assim todo o sistema.

Pode parecer surpreendente que Caius Saugrenus tenha sido apanhado de surpresa por uma reacção tão óbvia como a dos produtores romanos, que começaram a produzir menires em resposta à procura dos consumidores. No entanto, não é uma situação tão rara assim, se pensarmos um pouco. Por acaso, os supostos especialistas em economia e finanças não deveriam ter previsto o que ocorreu nos mercados financeiros e as hipotecas de alto risco (subprime)? Uma das críticas recorrentes que é feita aos economistas é que eles são péssimos a prever o que vai acontecer, tal como aconteceu com Caius Saugrenus. O que ele deveria ter previsto ao chegar à Gália é que tudo acabaria assim:


Para terminar a história ouvimos, pela boca do druida Panoramix, que uma grande crise assolava Roma, o que levou à desvalorização do sestércio. Não são acrescentados detalhes, sobre a forma como foi feita essa desvalorização ( também não interessa para esta história), mas provavelmente o Tesouro romano terá recorrido à cunhagem maciça de moeda, por forma a resolver os seus problemas financeiros, o que levou à sua perda de valor.





Economix

A Economia contada como uma história. Estabelece a ligação entre  os mais importantes acontecimentos mundiais  (guerras, revoluções, o progresso tecnológico, esgotamento dos recursos, poluição, etc) e as suas consequências económicas, ao mesmo tempo que  explica os  efeitos profundos (e muitas vezes não intencionais) de decisões de política económica sobre as pessoas e o planeta. As  ilustrações de Dan  Burr, fornecem humor e clareza e mostram a excelente habilidade para contar histórias de Goodwin.