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- Unidade 1 - Crescimento e desenvolvimento

2. DESIGUALDADES REGIONAIS
2.1 INDICADORES DE MEDIDA DO DESENVOLVIMENTO
Os indicadores utilizados para medir as desigualdades de riqueza e desenvolvimento são essencialmente três: 
A) Produto Nacional Bruto (PNB); é usado pelo Banco Mundial. O Produto Nacional Bruto do país mais rico é 500 vezes maior que o dos mais pobres 
B) O Produto Interno Bruto per capita (PIB per capita) é utilizada pelo Fundo Monetário Internacional. Varia de $ 105,000 Luxemburgo a 54 de Zimbabwe. 
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), utilizado pela ONU, leva em conta o rendimento per capita, a esperança de vida, a taxa de natalidade e o índice de alfabetização. Varia entre 0 e 1. 
C) Os países ricos (70) verificam o valor maior deste índice. Os países em vias de desenvolvimento (85) estão entre 0,500 e 0,800; e os subdesenvolvido (22) ficam a menos de 0.500. Entre estes últimos encontra-se o Níger, com um IDH de 0,340 (http://hdr.undp.org/en/2014-report) 

2.2 OS PAÍSES DESENVOLVIDOS

Nestes países vive um quinto da população do mundo, principalmente na zona temperada do hemisfério norte. As suas principais características são: a riqueza da sua economia, a urbanização intensa, a estabilidade política, o baixo crescimento populacional, o PIB per capita elevado e um alto IDH.

2.2.1 Economia: baixo peso do sector primário; redução progressiva do sector secundário desde a crise do petróleo de 1973: as actividades produtivas que requeriam mão de obra abundante foram-se deslocando para outros países. Permanecem as actividades industriais de alta tecnologia e as empresas de serviços. O sector dos serviços é bastante desenvolvido, com  uma mão de obra altamente qualificada. Grande desenvolvimento das tecnologias de informação. 
2.2.2 Demografia: Baixas taxas de natalidade e mortalidade. Estagnação demográfica,  envelhecimento da população, esperança média de vida superior a  70 anos. Este envelhecimento compromete os sistemas de pensões no futuro próximo. A chegada de imigrantes das áreas mais pobres do planeta alivia, em parte, este problema. 
2.2.3 Sociedade: é implementado o "welfare state", que garante serviços básicos: educação, saúde, pensões ou desemprego. Transportes e infra-estrutura altamente desenvolvidas, capacidade de consumo elevada. No entanto, a pobreza é um fenómeno crescente nestes países, que também têm problemas internos de desequilíbrios e  desigualdades no seu território. 
2.2.4 Política: Situação estável, paz social, consolidação da democracia, com partidos que se revezam no poder e direitos fundamentais garantidos a todas as pessoas. 

Dentro do eixo dos países desenvolvidos há diferenças entre a situação na América do Norte, Japão, Europa Ocidental, Austrália e Nova Zelândia e dos países do bloco comunista (Europa Oriental e Rússia), onde a transição de um regime socialista para o capitalista causou uma diminuição da qualidade de vida.

2.3 OS PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS

Situados a sul dos países desenvolvidos, ocupam a maioria de Ásia, da América Latina e de África. Alguns destes países (China, Índia, Brasil, as chamadas economías emergentes) estão a crescer a um ritmo acelerado, superior a 9% ao ano, tendo acesso aos mercados mundiais de bens, capitais e tecnologia. A maioria deles continua a verificar graves problemas económicos e sociais, para além de uma instabilidade política que os afasta cada vez mais do mundo desenvolvido.

Mais de mil milhões de pessoas vivem em situação de extrema pobreza, com rendimentos inferiores a um dólar por dia. Os riscos que apresentam são:

2.3.1 Economia: O sector primário, pouco desenvolvido,  predomina sobre os restantes sectores.Na agricultura convivem as técnicas de subsistência com as grandes plantações (monocultura de exportação), controladas pelos países ricos. A industria foi beneficiada pela instalação de filiais das grandes multinacionais, que deslocalizaram a sua produção. Nos três sectores coexistem sistemas tradicionais e modernos, o que acentua as tensões sociais. A economia paralela assume grande significado, não sendo controlada por um Estado ainda pouco implementado entre a população e submetido ao peso da dívida externa.

2.3.2 Demografia: O crescimento natural é muito elevado, por redução da mortalidade, enquanto a natalidade regista valores significativos, embora com tendência para um abrandamento. A população é predominantemente jovem, a esperança de vida é elevada, o que provoca tensões que, em parte, se tenta resolver através da emigração para os países ricos.

2.3.3 Sociedade: existem contrastes entre uma minoria rica e uma maioria com um nível de vida muito baixo. Os avanços nesta área produzem-se de forma desesperadamente lenta. Os grandes problemas sociais são: 

a) O analfabetismo: maior nos adultos –cerca de 1000 milhões não sabem ler. Na população jovem os valores são mais baixos, ainda que 130 milhões continuem sem escolarização (70% dos quais são do sexo feminino).

b) A fome, que afecta cerca de 40 países, a maioria de África (embora também afecte a Rússia e alguns países da América Laqtina). As alterações climáticas, com o avanço da erosão e da desertificação, agrava o problema, que coincidiu com o aumento do preço dos cereais no mercado mundial, devido à sua utilização para biocombustíveis.

c) A escassez de recursos sanitários que impedem que a esperança de vida supere os 50 anos. A isto soma-se a escassez de água e a sua fraca qualidade bem como a propagação de epidemias como a SIDA,  devastadora na África subsahariana.

d) A guerra nas suas numerosas facetas (guerras civis, conflitos étnicos, religiosos, económicos, territoriais…) Mais de  ¾ dos conflitos dos últimos vinte anos sucederam nos países pobres, a quem os países desenvolvidos vendem armas testando assim a sua fiabilidade. 


2.3.4 Política: Existe simultâneamente uma fraca tradição democrática, a presença de regimes ditatoriais e a corrupção. Não existem direitos civis e a violência está bastante presente nas relações sociais. As mulheres continuam a sofrer de descriminação e violência de todo o tipo, sendo que os países desenvolvidos apenas impõem medidas paliativas para tentar resolver estas questões.

3- ALTERNATIVAS À GLOBALIZAÇÃO

Perante os efeitos negativos da globalização, surgiram dois tipos de alternativas. As de tipo oficial, organizadas a partir das Nações Unidas (ONU) e aquelas mais espontâneas, que surgem de sectores sociais muito diversos, e que têm uma visão mais crítica da situação. 

3.1 CARACTERÍSTICAS COMUNS DESTES MOVIMENTOS

Critica-se o facto de a globalização aconteça à margem da sociedade, beneficiando apenas um punhado de países, empresas e organizações internacionais. Também a perda de identidade cultural dos países e a deterioração ambiental  que se está a verificar ao nível do planeta são também apontados por muitas organizações.

3.2 A ACÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS.

Os países que verificam os valores mais baixos de IDH situam-se na África subsahariana, no sul da Ásia e América Central. Os fundos disponibilizados a estes  países são designados por créditos FAD (Fundos de Ajuda ao Desenvolvimento) que condicionam a ajuda à compra de produtos de cada país doador. Para além disso, o elevado nível de corrupção reinante nas oligarquias destes países faz com que muito raras vezes estes fundos cheguem aos seus destinatários.

No ano 2000 realizou-se a Cimeira do Milénio das Nações Unidas. Nela estabeleceram-se os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), tendo sido fixados oito objectivos para o ano de 2015:
1)     Erradicar em 50% a fome e a pobreza extrema 
2)    Atingir o ensino primário universal
3)     Promover a igualdade entre géneros e a autonomia da mulher
4)     Reduzir a mortalidade infantil
5)     Melhorar a saúde materna
6)     Combater a SIDA, o paludismo e outras epidemias
7)     Garantir a sustentabilidade do meio ambiente
8)     Fomentar uma associação mundial para o desenvolvimento.


Relatório avisa que Portugal arrisca ser um dos países mais desiguais

12-09-2013

Em "A Armadilha da Austeridade", a organização Oxfam destaca o agravamento das desigualdades em benefício dos "10% mais ricos da população europeia" e fala em "políticas de austeridade mal concebidas".

Portugal arrisca-se a ser um dos países mais desiguais do mundo se a política de austeridade prosseguir, alerta a organização não-governamental (ONG) Oxfam.  
  
A ONG faz o aviso no relatório sobre a luta contra a pobreza, divulgado esta quarta-feira, na véspera de uma reunião dos ministros das Finanças da União Europeia (UE).  
  
Se a política de austeridade for mantida pelos dirigentes políticos, há o risco de 25 milhões de europeus caírem numa situação de pobreza até 2025, quantifica a Oxfam.    
  
No documento, a organização entende que o modelo europeu "está directamente colocado em questão por políticas de austeridade mal concebidas".  
  
A directora do ramo europeu da Oxfam, Natalia Alonso, critica o recuo dos direitos sociais, "os cortes radicais nos orçamentos da Segurança Social, da saúde e da educação, a redução dos direitos dos trabalhadores e uma fiscalidade injusta", ingredientes desde há três anos das purgas económicas destinadas alegadamente a recuperar as finanças públicas na Europa. 
  
"Em 2011, na União Europeia, 120 milhões de pessoas viviam na pobreza [definida como correspondendo a menos de 60% do rendimento mediano], número que poderá aumentar de 15 a 25 milhões se a austeridade continuar", estima, em declarações à agência noticiosa AFP.
  
Este possível resultado elevaria para o equivalente a mais de um quarto da população a quantidade de pessoas ameaçada pela pobreza, incluindo empregadas. 
  
Por junto, a Oxfam nega qualquer eficácia às medidas de "redução cega da dívida", que prejudicaram o crescimento e dispararam o desemprego para níveis recorde, cuja pertinência está a motivar um debate inclusive entre os seus promotores.   
  
Intitulado "A Armadilha da Austeridade", o relatório destaca o agravamento das desigualdades, em benefício dos "10% mais ricos da população europeia". 
  
Os países sujeitos ao regime de austeridade, com a ONG a particularizar os casos de Portugal e Grécia, em troca de uma assistência financeira da UE e do Fundo Monetário Internacional, mas também a Espanha e o Reino Unido, "situar-se-ão em breve entre os países mais desiguais do mundo", se prosseguirem as suas políticas, diz Alonso.  
  
Invocando as lições das experiências similares de quebra social vividas pela América latina e Ásia do sudeste nas décadas de 1980 e 1990, a ONG apela "aos Estados-membros da UE para que defendam um novo modelo económico e social", assente numa fiscalidade justa e em investimentos públicos nos serviços e na inovação.

Fonte: http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&did=121725


Homem mais rico do mundo demoraria 220 anos a gastar todo o seu dinheiro

Carlos Slim foi considerado o homem mais rico do mundo: para alguém o alcançar, teria de ganhar todos os dias durante mais de um ano o Euromilhões desta semana que não foi ainda reivindicado em Portugal, de 190 milhões de euros. Slim tem uma fortuna calculada em 80 mil milhões de dólares (71 mil milhões de euros ao câmbio de hoje).

Segundo a Oxfam, o empresário mexicano precisaria de 220 anos para gastar todo o seu dinheiro. E só se "torrasse" um milhão de dólares em cada um dos dias desses anos, o suficiente para comprar uma casa de luxo no centro de Lisboa, por exemplo.

O relatório global sobre desigualdade foi divulgado esta tarde e nele a Oxfam lista os homens mais ricos do mundo. Mas fá-lo por diferentes critérios, sendo que Carlos Slim "vence" em todos. Mais do que identificar homens ricos, a Oxfam pretende, isso sim, mostrar que as desigualdades estão a aumentar no mundo.

Desde o início da crise financeira, realça o relatório, o número de bilionários em todo o mundo mais do que duplicou: em Março de 2009, havia 793 bilionários no planeta; cinco anos depois, em março de 2014, o número de bilionários saltou para 1.654 pessoas. O aumento acontece sobretudo em países como os Estados Unidos mas também se verifica nos chamados BRICS, considerados economias emergentes. É o caso da Índia, que passou de dois bilionários em 1990 para 65 bilionários actualmente.

Um bilionário é alguém que tem uma riqueza superior a mil milhões de dólares, o equivalente a 890 milhões de euros ao câmbio actual. 

No relatório de hoje, a Oxfam calcula o resultado do que poderia ser um imposto sobre a riqueza mundial. Se cada um destes bilionários pagasse um imposto de 1,5% sobre as suas fortunas, a receita ascenderia a 74 mil milhões de dólares, "dinheiro suficiente para preencher as necessidades de financiamento para pôr cada criança na escola e para introduzir serviços de saúde nos países mais pobres do mundo". 

Já antes, a mesma Oxfam tinha revelado que os 85 homens mais ricos do mundo detêm a mesma riqueza que a metade mais pobre de toda a população mundial.

A Oxfam alerta que a desigualdade económica "atingiu níveis extremos". Mais, no seu relatório de hoje, a instituição ligada a iniciativas e políticas de caridade defende que "a desigualdade extrema corrompe a política e limita o crescimento económico".

"Do Gana à Alemanha, da África do Sul à Espanha, o fosso entre ricos e pobres está a crescer rapidamente, e a desigualdade económica atingiu níveis extremos. Na África do Sul, a desigualdade é maior hoje do que era no final do Apartheid", afirma o relatório.

Lista dos homens mais ricos do mundo por riqueza

1- Carlos Slim e família, México, 80 mil milhões de dólares/€71 mil milhões 

2 - Bill Gates, EUA, 79 mil milhões de dólares/€70 mil milhões

3 - Amancio Ortega, Espanha, 63 mil milhões de dólares/€56 mil milhões 

4 - Warren Buffett, EUA, 62 mil milhões de dólares/€55 mil milhões 

5 - Larry Ellison, EUA, 50 mil milhões de dólares/€44 mil milhões 

6 - Charles Koch, EUA, 41 mil milhões de dólares/€36 mil milhões 

7 - David Koch, EUA, 41 mil milhõe de dólares/€36 mil milhões

8 - Liliane Bettencourt e família, França, 37 mil milhões de dólares/€33 mil milhões

9 - Christy Walton e família, EUA, 37 mil milhões de dólares/€33 mil milhões

10 - Sheldon Adelson, EUA, 36 mil milhões de dólares/€32 mil milhões

Além da lista dos homens mais ricos por riqueza, a Oxfam mediu quantos anos demoraria cada bilionário a gastar o seu dinheiro, se gastasse um milhão de dólares por dia. O ranking fica nesse caso ordenado de outra maneira.

 Lista dos homens mais ricos do mundo por gastos:

1- Carlos Slim e família, México, 220 anos

2 - Bill Gates, EUA, 218 anos

3 - Amancio Ortega, Espanha, 172 anos

4 - Warren Buffett, EUA, 169 anos

5 - Larry Ellison, EUA, 137 anos

6 - Charles Koch, EUA, 112 anos

7 - David Koch, EUA, 112 anos

8 - Liliane Bettencourt e família, França, 102 anos

9 - Christy Walton e família, EUA, 101 anos

10 - Sheldon Adelson, EUA, 100 anos

 Consulte o relatório da Oxfam na íntegra  aqui . 

FONTE: http://expresso.sapo.pt/homem-mais-rico-do-mundo-demoraria-220-anos-a-gastar-todo-o-seu-dinheiro=f895852#ixzz3HZ2ylIiE




Hans Rosling -The joy of Stats

Neste vídeo de apresentação do documentário "The Joy of Stats", o Professor Hans Rosling explora as estatísticas de uma forma inédita, usando a animação e a gestão de 120 mil números entre a expectativa de vida e o rendimento per capita de 200 países. Ele conta-nos o desenvolvimento do mundo ao longo dos últimos 200 anos, em apenas 4 minutos.

Vídeo do YouTube








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Ilda Dinis,
18/09/2014, 15:38