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- Unidade 7 - Poupança e Investimento

Poupança dos portugueses regressa a níveis pré-crise

Fonte: economico.sapo.pt/noticias/poupanca-dos-portugueses-regressa-a-niveis-precrise_220557.html, em 08/06/2015

"A taxa de poupança na economia nacional vai voltar a recuar para os níveis pré-crise e manter-se em torno desses valores nos próximos anos. Quem o diz é o Banco de Portugal, no Boletim Económico de Junho, publicado hoje.

A baixa poupança em Portugal, sobretudo após a adesão ao euro, foi ao longo dos anos apontada como um dos grandes factores de pressão sobre a economia, aliada aos elevados níveis de endividamento.

Com a chegada da troika e o programa de ajustamento, as empresas e famílias portuguesas cortaram a eito nos gastos, aumentando os níveis de poupança para se precaverem face às dificuldades criadas pela austeridade.

O aumento da poupança durante a crise foi, de resto, um dos pontos positivos destacados ao longo dos últimos anos por economistas como Silva Lopes, por exemplo.

Um ano após o fim do programa da troika, e com um ligeiro alívio financeiro a fazer sentir-se, as empresas e famílias estão novamente a reduzir os montantes canalizados para a poupança. A taxa de poupança deverá, assim, cair para valores em torno dos 7% do rendimento disponível, nível que se registava em 2007/2008, e manter-se assim nos próximos anos.

No entanto, houve ganhos no período de ajustamento que ajudam a diminuir a pressão da taxa de poupança em níveis baixos. Nomeadamente o facto de a capacidade de financiamento das famílias ter aumentado, enquanto as necessidades de financiamento das empresas diminuíram.

No Boletim hoje publicado, o BdP mantém a previsão de crescimento do PIB em 1,7% para este ano, apoiada nas exportações e também na procura interna.

O supervisor melhorou mesmo as perspectivas de investimento, apontado agora para um aumento de 6,2% este ano, face aos 4% da previsão anterior.

As exportações também deverão acelerar - apesar da quebra que se vai registar nas vendas para Angola -, mas serão acompanhadas de uma subida acima do esperado das importações, pelo que o contributo da procura externa será ligeiramente inferior ao que se esperava."



O PROCESSO DE CRIAÇÃO DE DINHEIRO

Quando um agente económico deposita uma determinada quantia numa instituição financeira, esta vai emprestar uma parte a outros agentes económicos e fica com outra 
parte em seu poder, uma vez que os bancos têm que manter uma certa percentagem dos depósitos em reservas (reservas obrigatórias) – por exemplo 2%.

Neste processo pode observar-se que a partir de um depósito bancário e através de sucessivas operações de empréstimos e depósitos, é criado dinheiro na economia. 

Se os três depositantes (Sr. Garcia, empresa A e empresa B) tirassem o dinheiro do banco, haveria na economia  1.000+980+960,4= 2940,40 €

Quando termina o processo?

Quando não haja nenhuma entidade financeira que possa manter reservas superiores ao coeficiente legal.

Qual o valor máximo de dinheiro que se pode criar?

Multiplica-se a base monetária pelo multiplicador de crédito  (1/taxa de reserva obrigatória)

Multiplicador de crédito = 1/taxa de reserva obrigatória

Criação máxima de moeda = valor inicial do depósito x multiplicador de crédito

Neste caso: 1000 x 1/0,02 = 50.000 €


Um retrato da poupança em Portugal

Fonte: http://economico.sapo.pt/noticias/um-retrato-da-poupanca-em-portugal_204999.html

Data: 31/10/2014

Os salários diminuíram e os impostos aumentaram. Apesar disso, os portugueses poupam tanto hoje quanto no início do século.

Com o país mergulhado numa crise profunda, onde o tímido crescimento da economia está ainda longe de se reflectir no bolso dos cidadãos, qual é o retrato da poupança em Portugal? Na verdade, e apesar das dificuldades que afectam as famílias portuguesas, poupa-se hoje tanto quanto se poupava no início do século. Não porque o rendimento disponível seja superior mas porque o receio do amanhã se tornou bem presente na generalidade dos lares portugueses. Na verdade, a poupança tem muito de psicológico: é a decisão de não gastar hoje em função de gastar no futuro.

Os números oficiais dizem que os portugueses poupam hoje 10,1 euros por cada 100 euros disponíveis, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Um valor considerável para o contexto actual tendo em conta que, em 2002, se poupava em média 12 euros em cada 100, o valor mais elevado do século. A taxa de poupança começou a diminuir de forma acentuada em Portugal em 2004 e atingiu o mínimo quatro anos depois. No início de 2008, nos meses que antecederam a eclosão da maior crise financeira em 70 anos, os portugueses poupavam apenas 5,2 euros em cada 100. A taxa de poupança iniciou então um movimento de recuperação em Portugal, que duraria sensivelmente dois anos, até à crise que afectou a periferia da Europa. E nunca caiu tanto como nos meses da chegada da ‘troika' a Portugal. Mas no final desse ano, os portugueses reequacionaram as suas prioridades, e a poupança voltou a crescer.

 Para a poupança não é indiferente o rendimento disponível. Mas do que resulta hoje o rendimento disponível das famílias portuguesas? Apesar do elevado desemprego, apesar dos cortes salariais, não só da função pública mas também de muitos privados, e apesar dos cortes nas pensões, o peso das remunerações no rendimento disponível dos cidadãos manteve-se relativamente es tável nos últimos anos. As remunerações representam actualmente 62,3% do rendimento disponível, quando no início de 2010 pesavam 65,9%. Dados reunidos pelo Banco de Portugal podem no entanto ajudar a explicar a relativa manutenção do peso das remunerações no rendimento disponível dos lares portugueses.

 Quando se pensa em poupança, pensa-se principalmente no lado do activo das famílias. O que os dados do Banco de Portugal mostram é que o activo aumenta também por via da diminuição do passivo, o que nem sempre poderá ser um pensamento óbvio. Vejamos: nos últimos anos, e até 2011, a poupança financeira das famílias resultava de um aumento do activo - medido pelo montante de numerário e depósitos, obrigações, acções, seguros, planos de pensões, etc - superior ao aumento do passivo. Em 2011, por exemplo, o activo das famílias portuguesas, principalmente via depósitos, aumentou em cinco mil milhões de euros. Nesse mesmo ano, o passivo líquido, via créditos bancários, aumentou em 381 milhões de euros. Ou seja, a poupança financeira saldou-se em pouco mais de 4,6 mil milhões de euros. Mas desde esse ano, marcado pelo resgate internacional do país, os números começaram a contar uma história diferente.

 Em 2012 e 2013, e pela primeira vez desde que existem registos, o activo das famílias começou a diminuir. No entanto, e também num movimento inédito, o passivo diminuiu mais do que o activo, gerando assim a maior poupança financeira desde que existe histórico. Em 2013, o activo líquido das famílias sofreu uma erosão de 1,3 mil milhões de euros (três mil milhões em 2012), enquanto o passivo recuou 10,3 mil milhões de euros. A poupança financeira líquida atingiu os 8,9 mil milhões de euros nesse ano. A razão é simples: amortizações de empréstimos bancários que não foram redireccionados para a concessão de novo crédito às famílias. Ou seja, a diminuição das responsabilidades com créditos aumenta o rendimento disponível das famílias.

 Números relativamente dourados num contexto tão negro, mas que contam apenas a história agregada das famílias portuguesas. Não existem números oficiais para a distribuição da riqueza em Portugal mas dados do Fundo de Garantia de Depósitos fornecem pistas importantes: 82% dos depositantes têm aplicações inferiores a 10.000 euros, ou seja, têm 14,2% de todo o dinheiro depositado em Portugal. No extremo oposto, com depósitos superiores a 100.000 euros, encontram-se 1,2% dos depositantes, que são responsáveis por 38% da poupança existente em depósitos.